sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mentira


A hipocrisia reina nos dias de hoje, parece que se privilegia a incapacidade de pensar da sociedade para assim a esta poder ser manipulada a belo prazer pelos detentores de qualquer tipo de poder, seja ele político, económico ou social, utilizando todos os outros como meros fantoches, desprovidos de toda e qualquer significância...
Enganam-nos com mentiras, alimentam-nos com a falsidade animalesca de pessoas sem escrúpulos e como nós fomos ensinados a "não morder a mão que nos alimenta" continuamos passivamente a conviver com este fingimento, quais animais selvagens famintos rendidos à facilidade da comida num inverno rigoroso oferecida por aqueles que depois nos esfolam as peles para fazer um qualquer casaco.
Confortavelmente descartados assim que não somos necessários é assim que a sociedade actual nos trata, é necessário tomar uma atitude e demonstrar que é possível sermos indomáveis e impossível agrilhoar a mais poderosa de todas as ferramentas a mente humana.

Deixo para terminar estes versos da música Full Moon Madness dos Moonspell:

"Somos memórias de lobos que rasgam a pele
Lobos que foram homens e o tornarão a ser
ou talvez memórias de homens.
que insistem em não rasgar a pele
Homens que procuram ser lobos
mas que jamais o tornarão a ser..."

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Inércia


Bem já há algum tempo que não escrevia nada aqui...
Não que alguém vá ler isto, mas ultimamente não tenho tido o tempo nem a disponibilidade de internet para o fazer, de maneira que agora estou a fazê-lo à socapa no trabalho.
E cá estou eu a escrever no mesmo sítio, podia estar em tantos lugares, ocultos para a minha pequenez pela vastidão do mundo, mas infelizmente persisto preso à inércia da minha vida, não que tenha deixado de ansiar pela descoberta de novos lugares, pessoas e experiências, isso nunca.
Continuo a ansiar pelo dia em que alcance Machu Pichu e ofegante (devido à rarefação do oxigénio) diga bem alto "CONSEGUI!!!!!" e depois ao chegar a casa venho aqui escrever que vivo uma vida cheia de adrenalina e aventuras, tão distante neste momento.
A seguir vejo-me em Chichen Itzá absorvido pela magnificência da cultura Maia e a seguir uma viagem pelo Egipto contemplando as magníficas construções erigidas pela arte e engenho do homem.
Até lá vou desabafando aqui neste espaço os sonhos que espero realizar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Mais um Dia


Acordo, levanto-me e ponho os pés no chão frio, qual antítese do sonho reconfortante que ornamentava o meu sono, lavo a cara com a frescura de uma água gélida que escorre da torneira aberta, preparo-me para mais um dia de trabalho, ainda a recair no sono e com pesar pela interrupção do mesmo.
Se há coisas opostas são-no com toda a certeza a realidade da minha vida e os sonhos que tenho quando durmo, ao passo que durante o dia não passo de mais um na multidão, quando as estrelas ornamentam o céu consigo desprender-me da inércia da minha vida e almejar outras conquistas, qual matrix que me tolda o espírito e me mergulha numa realidade alternativa onde as preocupações deixam de existir e a vida flui numa calma corrente sem imprevistos.
Pena dormir cada vez menos e acordar todos os dias inexoravelmente tão insignificante como um grão de areia numa praia...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sei lá...


Pergunta cliché das entrevistas de emprego: "Onde se vê daqui a 5 anos?"
Epá... Farto-me de matutar na resposta mas sinceramente não consigo levantar o véu e destrinçar o que o futuro me reserva, dissipar a bruma que o encobre, qual D. Sebastião numa noite de nevoeiro.
Voltando à questão eu daqui a 5 anos espero ser a mesma pessoa que sou nos dias de hoje, espero ter realizado já alguns dos meus sonhos, mas acima de tudo continuar a viver a vida de forma despreocupada, rodeado de amigos e quem sabe se já não terei encontrado a minha alma gémea se é que ela existe.
Entretanto e enquanto isso não chega, e não quero que chegue depressa, o tempo pode fluir devagar para eu poder aproveitar a vida, vou deixar mais uns bocados d mim por aí nos lugares por onde passo, nos corações das pessoas que conheço e quero continuar a espreitar e a desvendar o desconhecido que se revela a cada instante e que oculta aquilo que o amanhã desvendará.
Até lá perguntem-me: "Logo à noite cinema?" E talvez eu responda com mais certeza.

domingo, 12 de outubro de 2008

Erros


Às vezes gostava que a vida tal como as aplicações informáticas tivesse um botão de "un do", algo que nos permitisse retroceder, voltar atrás e corrigir um erro, uma decisão menos acertada, algo que nos magoou a nós a alguém que não pretendíamos ver sofrer...
Mas como a vida não é programável resta-me seguir o caminho, continuar a cometer erros, continuar a tentar corrigi-los ou pelo menos a desejar não tê-los cometido, e até que chegue o dia em que o acumular de erros faça o meu mundo desabar vou continuar por aqui, quando esse dia chegar... Quero partir para um lugar onde ninguém saiba o meu nome e então recomeçar do zero, esperando que esse não seja mais um erro que me precipite para o caos.
E então aí saberei que cometi mais um erro crasso, para juntar à infinita lista de erros que cometi, é então que espero sentar-me no chão, olhar para o céu, escutar o mundo ao meu redor e esperar não ter perdido o último comboio para casa, para o local onde possa ainda remediar alguns dos meus erros.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Loucura


Um dia alguém disse "Se não houvessem loucos, os únicos que voavam eram os pássaros", por trás desta simples frase está uma grande verdade, por trás da genialidade está sempre a loucura, a busca incessante, o nunca nos contentarmos com o imediato, o trivial.
Como tal considero que a loucura faz parte da vida e torna-nos insaciáveis na vontade de nos superarmos, é por esta razão que podem chamar-me louco à vontade, porque tal como os loucos que almejavam voar como os alados pássaros e proporcionam-nos hoje tamanhas conquistas como ir de um lado ao outro de um oceano numa questão de horas e mesmo pisar o solo do nosso solitário e longínquo satélite, é a esses loucos que o devemos.
Não é que consiga tamanhas descobertas ou façanhas, mas ainda assim vou embeber o meu espírito e tentar viver embrenhado nessa loucura, nesse grito incessante que me chama e me hiptoniza para conseguir a superação dos meus limites e das minhas fraquezas.
Ainda que como qualquer louco também tenha as minhas utopias irrealizáveis, espero pelo menos alcançar algumas que ninguém vê em mim capacidade para alcançar.
A vida é como este texto apócrifo traduz, não podemos esmorecer ao longo dela só porque as dificuldades aparecem, mas com esforço tudo se vence e todas as experiências que temos nos enriquecem.

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta...

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Paredes Vazias


E fico aqui olhando estas paredes vazias que me aprisionam o corpo, mas que ainda assim não me podem agrilhoar a mente, com a qual resisto às investidas da insanidade.
Cada dia que passa a vitória nesta luta titânica assemelha-se cada vez mais a uma quimera inconcebível, mas ainda assim recuso-me a desistir, e tento apenas libertar-me dos meus medos que me enfraquecem neste conflito visceral.
Dentro de cada um de nós jaz um guerreiro, pode apenas estar adormecido, basta não cruzarmos os braços e desistir à primeira adversidade que ele despertará.
Continuo a contemplar estas paredes vazias, despidas de qualquer conteúdo, observo neste momento a projecção da minha sombra sobre as mesmas, chego a receá-la às vezes de embrenhado na solidão que estou, a sua presença aqui desperta o meu lado obscuro e por momentos cesso a luta que travo, as trevas apoderam-se da minha mente e sinto as forças esvaírem-se, num último rasgo de consciência percorro mentalmente todo o caminho que me trouxe a este beco sem saída e qual fénix renascida, concentro novamente as minhas forças para pelo menos prolongar a minha existência.
Durante esta batalha interior sinto-me reanimado e neste momento já nada me faz temer, independentemente do desfecho sei que fui aos meus limites, sei que dei tudo e enquanto me aguentar de pé, enquanto não cair de joelhos vou respeitar a velha máxima "mais vale quebrar que torcer".
Silêncio...Tudo repousa agora. Calmamente, limpo as marcas da batalha travada, tenho cicatrizes mentais, provavelmente nunca mais as vou curar, e afligem-me bem mais que as cicatrizes que me sulcam a pele...
Ainda assim valeu a pena todo esforço e consigo neste momento atravessar as paredes vazias que me sitiavam, sigo descobrindo o Mundo que me fora vedado.
E tenho agora por companheira a sombra que quase me fez renunciar à luta, mas que agora segue a meu lado e me lembra pura e simplesmente que o sol ilumina o meu caminho.