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domingo, 23 de janeiro de 2011

Viagens no Chá


Degusto na minha inocência um chá de cereja japonesa, provavelmente não é mais do que uma amálgama de aromatizantes diluídos num ordinário chá de virar da esquina. Não custa sonhar, deleito-me com ele mesmo assim, viajo sensorialmente ao País do Sol Nascente.

Há quem veja o futuro nas folhas de chá, olho uma e outra vez o meu chá e nem as folhas vejo, quanto mais o futuro. Ainda penso em abrir a bola que continha as folhas que davam sabor à infusão, mas abandono esse pensamento quase de imediato, além da minha óbvia incapacidade para descortinar o futuro, não sinto a mínima curiosidade em sabê-lo. Prefiro viver erraticamente, sem planear, desfrutar do aqui e agora, não viver nas ânsias do amanhã.

Nas palavras de Pessoa, “Quanto é melhor, quando há bruma, / Esperar por Dom Sebastião, / Quer venha ou não!”.

Os Gregos acreditavam que o nosso Destino era urdido na Roda da Fortuna pelas três Moiras, Cloto, Láquesis e Átropos, gosto desta visão, as Moiras a tecer o meu Destino. Provavelmente neste momento, furiosas com a minha deambulação errática, impossibilitando qualquer previsão, tecendo durante o dia e desfazendo durante a noite, tal qual Penélope na espera por Ulisses.

Espero um dia que o meu fio enlace a um outro de alguém que cruze a minha Vida, para que quando as Moiras se preparem para o cortar encontrem ramificações partindo desses fios emaranhados, juntos nos encontros e desencontros da Vida.

Para já peço apenas que a erosão dos anos não me desvaneça o brilho no olhar que me permite saborear um chá, viajar até ao outro extremo do Mundo e escrever sobre sandices sem sentido.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sei lá...


Pergunta cliché das entrevistas de emprego: "Onde se vê daqui a 5 anos?"
Epá... Farto-me de matutar na resposta mas sinceramente não consigo levantar o véu e destrinçar o que o futuro me reserva, dissipar a bruma que o encobre, qual D. Sebastião numa noite de nevoeiro.
Voltando à questão eu daqui a 5 anos espero ser a mesma pessoa que sou nos dias de hoje, espero ter realizado já alguns dos meus sonhos, mas acima de tudo continuar a viver a vida de forma despreocupada, rodeado de amigos e quem sabe se já não terei encontrado a minha alma gémea se é que ela existe.
Entretanto e enquanto isso não chega, e não quero que chegue depressa, o tempo pode fluir devagar para eu poder aproveitar a vida, vou deixar mais uns bocados d mim por aí nos lugares por onde passo, nos corações das pessoas que conheço e quero continuar a espreitar e a desvendar o desconhecido que se revela a cada instante e que oculta aquilo que o amanhã desvendará.
Até lá perguntem-me: "Logo à noite cinema?" E talvez eu responda com mais certeza.