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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Abandonado


É triste mas é a verdade...
Estou só numa cidade com um milhão de pessoas...
Para perceberem a magnitude da minha solidão, reparem que até a minha sombra me abandonou...
Se na rua se cuzarem com alguém incapaz de projectar a opacidade do seu corpo quando a luz incide nele, encontraram-me.
Agora sem a minha sombra não importa se vivo na luz ou na escuridão, em ambos os ambientes serei incapaz de espelhar a minha silhueta, apenas sei que não importa onde esteja vou estar completamente despojado de uma presença que me impeça de afogar na solidão...
Para onde vou? Já sei.
Encaminho-me para um lugar onde ainda posso deixar marcas e que ao mesmo tempo me acalma o espírito. Chego à praia, coloco os pés na areia, qual carimbo numa folha de papel, lá está a minha planta do pé marcada na areia suavizada pelo vaivém das ondas do mar, continuo a caminhar pela praia, deixando o rasto da minha passagem, perseguido pela solidão.
Observo o horizonte conserva-se para mim como a fronteira da minha natureza humana, observo-o acalentando no espírito alcançá-lo, raiam na água os últimos suspros do sol moribundo, num crepúsculo que antecipa a imensa escuridão da noite.
Olho para trás, já não há rasto das minhas pegadas, absorvidas pelo mar, atravessei a praia sem conservar a assinatura da minha presença neste local, apenas aquele espaço de tempo em que as minhas pegadas foram impressas, fugaz rubrica do meu ser, espelho da forma como passo pela vida.

domingo, 12 de outubro de 2008

Erros


Às vezes gostava que a vida tal como as aplicações informáticas tivesse um botão de "un do", algo que nos permitisse retroceder, voltar atrás e corrigir um erro, uma decisão menos acertada, algo que nos magoou a nós a alguém que não pretendíamos ver sofrer...
Mas como a vida não é programável resta-me seguir o caminho, continuar a cometer erros, continuar a tentar corrigi-los ou pelo menos a desejar não tê-los cometido, e até que chegue o dia em que o acumular de erros faça o meu mundo desabar vou continuar por aqui, quando esse dia chegar... Quero partir para um lugar onde ninguém saiba o meu nome e então recomeçar do zero, esperando que esse não seja mais um erro que me precipite para o caos.
E então aí saberei que cometi mais um erro crasso, para juntar à infinita lista de erros que cometi, é então que espero sentar-me no chão, olhar para o céu, escutar o mundo ao meu redor e esperar não ter perdido o último comboio para casa, para o local onde possa ainda remediar alguns dos meus erros.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Loucura


Um dia alguém disse "Se não houvessem loucos, os únicos que voavam eram os pássaros", por trás desta simples frase está uma grande verdade, por trás da genialidade está sempre a loucura, a busca incessante, o nunca nos contentarmos com o imediato, o trivial.
Como tal considero que a loucura faz parte da vida e torna-nos insaciáveis na vontade de nos superarmos, é por esta razão que podem chamar-me louco à vontade, porque tal como os loucos que almejavam voar como os alados pássaros e proporcionam-nos hoje tamanhas conquistas como ir de um lado ao outro de um oceano numa questão de horas e mesmo pisar o solo do nosso solitário e longínquo satélite, é a esses loucos que o devemos.
Não é que consiga tamanhas descobertas ou façanhas, mas ainda assim vou embeber o meu espírito e tentar viver embrenhado nessa loucura, nesse grito incessante que me chama e me hiptoniza para conseguir a superação dos meus limites e das minhas fraquezas.
Ainda que como qualquer louco também tenha as minhas utopias irrealizáveis, espero pelo menos alcançar algumas que ninguém vê em mim capacidade para alcançar.
A vida é como este texto apócrifo traduz, não podemos esmorecer ao longo dela só porque as dificuldades aparecem, mas com esforço tudo se vence e todas as experiências que temos nos enriquecem.

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta...

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."