quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Espelho


Aí está à mnha frente a réplica plana e perfeita daquilo que sou.
Não passa de uma mera ilusão, pois não é algo real, limita-se a mimicar os meus gestos e atitudes, de forma enervante, completamente desprovida de vontade própria.
Apenas serve para enganar as mentes menos atentas.
Fico no entanto aqui, em frente a esse clonador barato, admirando cada ponto que ele reflecte, tentando descortinar algum indício de mudança, alguma réstia de alento e esperança, busco a solução num vidro polido...

"Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente

A gente muda o mundo na mudança da mente

E quando a mente muda a gente anda pra frente

E quando a gente manda ninguém manda na gente



Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura

Na mudança de postura a gente fica mais seguro

Na mudança do presente a gente molda o futuro"

Gabriel, O Pensador - Até Quando

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Partida


Avanço, embrenho-me sem olhar para trás, pesa-me a saudade, mas não posso voltar para trás agora. Ainda que a dor lancinante me se faça repercutir no meu peito estende-se à medida que me afasto já com o regresso no pensamento, rumo ao abissal desconhecido por livre e espontânea vontade, buscando no incógnito breu propósito para a minha demanda da sagacidade, que me impele para longe daqueles que gosto, para longe do conforto dos amigos, mas ao mesmo tempo conhecendo novos rostos, novas histórias de vida, novas lutas germinam no meu espírito e a partida não terá sido em vão.
Passam os tempos da privação da partida, anima-se o espírito acalentado com a ideia do regresso, ultrapassei o meu cabo das Tormentas e assim como os intrépidos descobridores Portugueses, também a minha odisseia foi proveitosa.
Regresso sacio a saudade, esse sentimento que me corroeu durante a ausência do conforto daqueles que deixei para trás, sentindo agora saudade daqueles que conheci ao longo da viagem, percebo agora que a vida é feita de partidas e despedidas, deixamos sempre um pouco de nós por onde passamos e levamos sempre algo em troca.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Decisão


E se ficássemos apenas por aqui, obliviando tudo o resto que nos envolve, esquecendo o que nos trouxe aqui e aquilo que nos espera ao raiar do dia...
Se apenas desfrutássemos do momento, sem nada que interferisse com este sentimento recíproco de "não há nenhum outro lugar no Mundo onde eu quisesse estar", se apenas ansiássemos que o tempo parasse e retivesse para sempre este momento que ambos definimos como a "simetria perfeita", se como alquimistas sonhadores tentássemos inverter a entropia e o caos que se gera no universo tornando-os simplesmente não aplicáveis a nós...
E quem me dera não adormecer, ainda que enrolado nos teus braços, mas sim permanecer fitando assombrado a tua perfeição, mas isso é algo que não posso almejar, sucumbo ao venenoso descanso a que a minha natureza humana obriga, se inconscientemente pudesse desejar algo, para face à impotência de permanecer acordado, isso seria sonhar contigo, pois mesmo assim não o sentindo anseio por ti...
E quando acordar, observar-te, enquanto acordas e partilhar contigo o primeiro raio de sol, de mais um dia...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Abandonado


É triste mas é a verdade...
Estou só numa cidade com um milhão de pessoas...
Para perceberem a magnitude da minha solidão, reparem que até a minha sombra me abandonou...
Se na rua se cuzarem com alguém incapaz de projectar a opacidade do seu corpo quando a luz incide nele, encontraram-me.
Agora sem a minha sombra não importa se vivo na luz ou na escuridão, em ambos os ambientes serei incapaz de espelhar a minha silhueta, apenas sei que não importa onde esteja vou estar completamente despojado de uma presença que me impeça de afogar na solidão...
Para onde vou? Já sei.
Encaminho-me para um lugar onde ainda posso deixar marcas e que ao mesmo tempo me acalma o espírito. Chego à praia, coloco os pés na areia, qual carimbo numa folha de papel, lá está a minha planta do pé marcada na areia suavizada pelo vaivém das ondas do mar, continuo a caminhar pela praia, deixando o rasto da minha passagem, perseguido pela solidão.
Observo o horizonte conserva-se para mim como a fronteira da minha natureza humana, observo-o acalentando no espírito alcançá-lo, raiam na água os últimos suspros do sol moribundo, num crepúsculo que antecipa a imensa escuridão da noite.
Olho para trás, já não há rasto das minhas pegadas, absorvidas pelo mar, atravessei a praia sem conservar a assinatura da minha presença neste local, apenas aquele espaço de tempo em que as minhas pegadas foram impressas, fugaz rubrica do meu ser, espelho da forma como passo pela vida.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Caos


Estou absolutamente rendido à teoria do caos...
Realmente esta comanda a minha vida...
Quem me dera como no filme efeito borboleta conseguir voltar atrás e com uma pequena acção, um pequeno pormenor alterar toda a minha vida e futuro, qual borboleta que ao bater as asas numa ponta do Mundo provoca ao fim de algum tempo um tufão no extremo oposto e desencadeia um cataclismo impensável.
Bastava por vezes mudar uma palavra dita, um gesto feito e conseguia prevenir certas asneiras que cometi, e que agora me atormentam o espírito... De qualquer das formas também podem ter sido essas mesmas asneiras que me conduziram ao ponto onde estou neste momento e me permitiram conhecer certas pessoas.
Tenho imensa pena que apesar de nos termos conhecido provavelmente vamos cruzar-nos na rua (de certo vou olhar para ti) mas de certeza que vais seguir o teu caminho indiferente ao entrelaçar dos fios das nossas vidas...
E bastava uma pequena mudança lá atrás... E isto atormenta-me o espírito e impede-me de me perdoar a mim próprio o facto de o ter feito ainda que inconscientemente, tenho de tentar evitar afundar-me em mim próprio e esperar que ao cruzarmo-nos arrastados na multidão não me vires as costas...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Falsidade


Quando olharás para uma casa e verás apenas um abrigo?
Quando olharás para uma peça de roupa e verás apenas um monte de fibras?
Quando olharás para um computador e verás apenas uma prisão para a tua mente?
Quando olharás para um automóvel e verás a servilidade do comodismo?
Quando olharás para o dinheiro e verás a mentira que corrompe a sociedade?
Ao invés de tudo isto porque não regessar áquele lugar onde uma pedra era um brinquedo, onde com uma bola se fazia um estádio de futebol, onde com a tua companhia vivia momentos de alegria, onde o Natal apenas servia para sonhar com uma embalagem de rebuçados?
Para onde foram esses tempos, para onde foi esse espírito?
Tudo o que vejo agora é um consumo desenfreado, uma total ganância que transformam esta quadra em não mais do que material...
Quando para mim o que me basta é uma palavra amiga, um abraço, um sorriso.
É possível ser feliz sem ter nada na palma da mão? Eu acredito que sim, basta para tal ter coração.
Feliz Natal

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Desilusão


Não sei que sentimento é este que envolve a alma, me sufoca o espírito, me escurece o dia...
É como se por trás de mim alguém espreitasse, uma paranóia no fundo da minha cabeça, um gigante que me espezinha e me faz duvidar das minhas capacidades...Rastejando pela minha pele, como um paraita que suga a minha alegria e diversão e me inunda com o mais gelado e negro dos medos, rasga-me os pensamentos com a frigidez de um assassino e leva toda a esperança na mudança que eu alento...
E cada vez me escapam mais as forças para dar o murro na mesa e dar troco a isto, oh dá-me a mão, ajuda-me a sair deste abismo em que cada vez mais me afundo...
Sê a estrela que me faz acreditar que a seguir à mais escura das noites o Sol voltará a brilhar...