domingo, 23 de janeiro de 2011

Viagens no Chá


Degusto na minha inocência um chá de cereja japonesa, provavelmente não é mais do que uma amálgama de aromatizantes diluídos num ordinário chá de virar da esquina. Não custa sonhar, deleito-me com ele mesmo assim, viajo sensorialmente ao País do Sol Nascente.

Há quem veja o futuro nas folhas de chá, olho uma e outra vez o meu chá e nem as folhas vejo, quanto mais o futuro. Ainda penso em abrir a bola que continha as folhas que davam sabor à infusão, mas abandono esse pensamento quase de imediato, além da minha óbvia incapacidade para descortinar o futuro, não sinto a mínima curiosidade em sabê-lo. Prefiro viver erraticamente, sem planear, desfrutar do aqui e agora, não viver nas ânsias do amanhã.

Nas palavras de Pessoa, “Quanto é melhor, quando há bruma, / Esperar por Dom Sebastião, / Quer venha ou não!”.

Os Gregos acreditavam que o nosso Destino era urdido na Roda da Fortuna pelas três Moiras, Cloto, Láquesis e Átropos, gosto desta visão, as Moiras a tecer o meu Destino. Provavelmente neste momento, furiosas com a minha deambulação errática, impossibilitando qualquer previsão, tecendo durante o dia e desfazendo durante a noite, tal qual Penélope na espera por Ulisses.

Espero um dia que o meu fio enlace a um outro de alguém que cruze a minha Vida, para que quando as Moiras se preparem para o cortar encontrem ramificações partindo desses fios emaranhados, juntos nos encontros e desencontros da Vida.

Para já peço apenas que a erosão dos anos não me desvaneça o brilho no olhar que me permite saborear um chá, viajar até ao outro extremo do Mundo e escrever sobre sandices sem sentido.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Efemeridade da Vida



Este Domingo fui passear até à Foz do Douro, após ter visitado o Museu de Serralves e tive um momento de inspiração que me levou a escrever uma mensagem na areia junto ao paredão, que no momento em que bato nas teclas do computador, mais não deve ser de que um pedaço de areia lisa e húmida. Mas é mesmo essa a mensagem que quis passar com as palavras que lá deixei. Na Vida nada é definitivo.

"Aqui ficam estas palavras, até que o Mar as leve e para sempre as apague, porque nada na Vida é inolvidável."
Pedro Almeida 12-12-2010, Foz do Douro

E aqui as deixo até que algum vírus informático vista a pele das ondas e as leve também!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Carpe Diem



"Daqui a uns anos vais estar mais arrependido pelas coisas
que não fizeste do que por aquelas que fizeste. Então solta as amarras.
Afasta-te do porto seguro. Agarra o vento nas tuas velas.
Explora. Sonha. Descobre."


Mark Twain

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Frases Soltas


Sou uma música sem letra
Um espelho sem reflexo
O mar sem ondas
Uma frase sem sentido

Resta-me a melodia
O brilho
O sal
As palavras

Procuro a ode
A reflexão
A brisa
A expressão

Quando encontrar a canção
A imagem perfeita reflectida
A onda encrispada
A frase poética

Talvez me falte a voz
O polimento
A maré
A fala.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Alegoria do Rio


Havia uma pedra, perdida na margem do rio que fluía à sua beira, sonhava atravessar a corrente do rio para a outra margem, lançada por alguém, saltitando em contacto com a límpida superfície do curso de água.
Seria por quem passasse por ela não destrinçar características que lhe permitissem alcançar a almejada margem, seria a sua espessura, seria demasiado tosca, demasiado pesada para alguém a atirar a tamanha distância, o rio fluía e a pedra continuava no mesmo local na margem, fluíam também as pessoas que teimavam em não a atirar.
Até que um dia, uma criança aparece, pega na pedra e sente-a entre os seus pequeninos dedos, como que entendendo verdadeiramente o desejo oculto na pedra.
Pega-lhe, posiciona-a entre o seu polegar e o indicador, a pedra sente-se feliz, vai finalmente tocar a água, saltitar para a outra margem. A dinâmica do movimento fá-la soltar-se dos dedos da criança, salta sucessivamente ao tocar na superfície da água, e a cada salto a felicidade da pedra aumenta, a margem aproxima-se, mas os saltos a início vigorosos e de grande comprimento, sucumbem ao atrito da corrente, diminui a distância de cada salto, até que a pedra apenas desliza, falta ainda caminho até à outra margem, mas a pedra começa a afundar-se, a pedra vê-se coberta de água arrastada na corrente, em semicírculos em direcção ao leito do rio.
Bate no fundo, a luz e o calor da superfície ficram para trás e a pequena pedra apenas sente a corrente do rio passar por ela. Essa mesma corrente fará a pedra alcançar o seu objectivo, esculpindo a sua forma, tornando-a mais hidrodinâmica e ágil, para que assim que atinja novamente a margem, ao sabor de alguma enxurrada, a criança agora já adulta lhe pegue uma outra vez e a atire para o seu propósito, a outra margem.
Até lá a corrente do rio lava-lhe a superfície e a alma.

Nota: Alegoria - Modo indirecto de representar uma coisa ou uma ideia sob a aparência de outra.
"O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."
Alberto Caeiro

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Estado de Espírito / Tempo


"O tempo passa. Mesmo quando tal parece ser impossível. Mesmo quando cada tiquetaque do ponteiro dos segundos dói com o palpitar do sangue sob a ferida. Passa de forma irregular, em estranhos avanços e pausas que se arrastam. Mas lá passar, passa. Até para mim."

Stephenie Meyer, Lua Nova

terça-feira, 5 de maio de 2009

Imagens

Dizem que uma imagem vale mil palavras, então deixo-vos as imagens guardo as palavras para mim.








Fotos: Mónica Rogério